Ah e tal e o sentido da vida

Ora bem, o que faz uma rapariga solteira – e boa rapariga, como eu – sem filhos num blog sobre maternidade e coisas afins? Não sei. Talvez daqui a umas linhas consiga ter uma resposta. A verdade é que aquilo de que eu gosto mesmo é de perguntas. Sou filósofa (sim, a sério!) e trabalho com crianças. Sim, filosofia. Crianças. Filosofia para crianças. Com crianças. Sim, no 1º ciclo. E em escolas públicas. Inacreditável, certo? Não ajuda se eu disser que um dos meus lemas de vida é “não te esqueças de pensar em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço”, pois não? Tenho conhecido muitas crianças , muitos educadores e professores – e pais. Pais preocupados com a educação do seu filho, outros que estão nem aí. Entre o excesso e o defeito, conheço muitos pais conscientes do seu papel e disponíveis para ouvir os seus filhos. É verdade, as crianças têm um papel a dizer sobre aquilo que é a sua vida. Mais do que possam imaginar. Quando uma criança de 3, 4 anos verbaliza perguntas como “porque é que não posso fazer aquilo que quero?” ou sabe dizer “este boneco é só de brincar, não é a sério” – está a manifestar a sua forma de ver o mundo e a interrogar-se sobre coisas como a autoridade, a liberdade, o real e o imaginário. À medida do seu mundo, a criança vai-se interrogando. Procura respostas. Como as pessoas crescidas fazem todos os dias, verdade? IMG_0032 E como todos andamos à procura de respostas, porque é que não admitimos isso perante os nossos filhos? Dizia-me uma vez um pai que evitava as perguntas do filho pelo receio de não ter respostas para ele. “Eu sou pai, deveria saber”. Sim, é pai, mas também é uma pessoa à procura, a construir o sentido da vida. Com certezas e dúvidas, com perguntas e respostas. Mostrar à criança, desde muito cedo, que somos “só” (pessoas) humanas acontece em pequenas coisas: permitindo um espaço de liberdade, com regras e diálogo sobre aquilo que se passa. Com transparência na palavra e na acção. Com a honestidade de quem sente que pode errar e nem por isso deixa de persistir. E existir. Ser. Joana Rita Sousa Filósofa, (não) professora de filosofia (para crianças). Mais aqui: http://joanarssousa.blogs.sapo.pt Ilustração: My Simple Life

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2 thoughts on “Ah e tal e o sentido da vida

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