O Parto!

Antes de engravidar tinha pavor ao parto! PAVOR!
Só me lembrava de histórias horrendas que tinha ouvido contarem sobre o parto da prima da amiga da conhecida. Noutros casos eram histórias contadas na primeira pessoa, horrendas iguais.

Quando decidi engravidar mentalizei-me que ia deixar esse “problema” para o fim! E é essa a ordem mesmo!

Quando finalmente engravidei só pensei que o bebé ia ter que sair e portanto o parto ia ter que ser!

Ao longo da gravidez fui-me focando nas histórias simples que ia ouvindo, aquelas em que as mães dizem que doeu mas que quando o bebé nasce, passa! Fui olhando à volta e vendo que tantas mães tiveram mais que um filho e que isso é sinal que as coisas correram bem!

Quando cheguei ao último trimestre exigi que ninguém me contasse NADA sobre o parto! Simplesmente não queria! Não queria saber, não queria ouvir, muito menos aquelas histórias horrendas de sofrimento de mãe e filho.

Até que entrei no salão do hospital de Gaia, onde fui seguida, para a minha primeira aula de preparação para o parto e a parentalidade.
Nesse curso aprendi tanto sobre este novo mundo mas acima de tudo aprendi a ter tranquilidade e confiança em mim para que o parto corresse bem.
Acreditem, perdi qualquer medo sobre o parto, sentia-me serena, tranquila e confiante.

Não posso dizer que fiz esta caminhada do medo à confiança sozinha, não a fiz!
Foi muito importante a ajuda da enfermeira que ministrou as aulas, teóricas e práticas e do pai do meu príncipe que as fez comigo e esteve de mão dada a sofrer os apertos na hora da verdade.

Foi a enfermeira Joana Gonçalves (a quem só agradeço!), que me fez acreditar que ia ser simples, mesmo que fosse complicado. Que me fez perceber que eu tinha que fazer bem o meu trabalho para que a equipa médica conseguisse fazer o melhor pelo meu filho. Que devia estar preparada para o pior mas mentalizada que vamos conseguir.

Ouço tantas e tantas vezes dizerem que as aulas de preparação para o parto não interessam, não servem de nada, não resultam e ainda bem que não liguei a essas vozes e decidi faze-las!
Nas aulas teóricas aprendi procedimentos a ter em vários casos, mas nas aulas práticas aprendi tudo o que me deu a segurança necessária para estar tranquila e apta ao momento fantástico que é darmos à luz!
As respirações, as posições, os puxos! Tudo tão importante!
Se me sentia ridícula nas primeiras aulas, estando de pernas para o ar a simular o parto a verdade é que foi isso que me fez entender tudo!

Há ainda quem diga que na hora da verdade esquece-mos tudo, nos descontrolamos, pode ser verdade, mas comigo funcionou.  Inspirei, expirei, levei oxigénio ao meu bebé nas contrações, puxei, puxei!

Só que o Sr. Vinny decidiu nascer grande demais para a mamã pequena que tem e apesar de eu estar a fazer bem o meu trabalho, da equipa médica e enfermeiras estarem a insistir num parto normal, lá tivemos que ir para uma cesariana porque o miúdo não descia!

Desolação foi o que senti quando o médico me explicou que não valia a pena e que tínhamos que seguir para o bloco. Olhei para o pai e partilhamos do mesmo pensamento, tanto esforço e agora vamos para cesariana.
Hoje acredito que não foi assim, que não foi em vão, a minha tranquilidade naquele momento, o ter  feito correctamente o meu trabalho permitiu que se entendesse que não valia a pena os fórceps ou coisas que tais. E o meu bebé não teve que sofrer!

Vinte minutos depois de entrarmos no bloco choramos. Ele por nascer, eu por o ver nascer!
Senti a mão de alguém a fazer-me festas na cara e a dizer: “Olhem, a mãe também já chora!”
E chorei, de feliz, de alivio, de tranquilidade.

O que se passou a seguir foi um pós-parto com dores, difícil, mas que preciso de puxar pela memória para lembrar! Como durante o trabalho de parto vos posso dizer que dói, que as contrações são terríveis e que a sala de partos gritei um fodasse e um puta que pariu!
Mas já nem me lembro das dores! Só me lembro dos pormenores que me levaram ao momento em que nasceu o meu filho.

Lembro-me de acordar a meio da noite a achar que estava com cólicas, de ir para o hospital ainda de noite a achar que ” não é trabalho de parto” e ” ai ai ai ai afinal acho que é”! , de chegar ao hospital e estar a sala de espera vazia, da enfermeira das urgências se rir quando lhe perguntei se estava em trabalho de parto, porque sim, estava e já ia a meio!

Lembro-me do pai, cá fora à espera, a escrever no iPad as memórias daquela hora.
De vir ter comigo e ter que sair a meio para fazer xixi, de me dizer que não sabia se ia aguentar mas de ter feito um esforço tremendo quando percebeu que eu precisava dele ali.
Lembro-me do nome das enfermeiras e do médico que estiveram comigo.
E lembro-me do rosto do meu bebé acabadinho de nascer. Nariz de pai e boca de mãe.

As dores? Passaram todas!
O medo? Quem tem cú tem medo, ja diz a sabedoria popular.

O parto? Nascemos todos não foi? 🙂

Anúncios

2 thoughts on “O Parto!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s