A indisciplina

Estava a conversar com o Zé sobre A não perfeição da Bárbara e o quanto era difícil muitas vezes lidar com as birras dos pequenitos, enquanto conversávamos, ele ao meu colo brincava.

Conseguiu chegar ao cesto das molas. Nós continuámos a conversar. Ele viu-nos distraídos e atirou uma mola ao chão. Eu disse para ele não o fazer. Ele atirou outra. À terceira vez, já eu estava com a voz alterada, ele não esteve com meias medidas, atirou o cesto todo e eu respirei fundo e posei-o no chão.

Estamos, sem dúvida alguma, na fase da indisciplina.

Na consulta dos 15 meses, a nossa (maravilhosa) pediatra perguntou-nos: Então e as birras? Como é que ele está? – Na altura da questão não nos parecia nada que não conseguíssemos facilmente controlar. Mesmo assim ela reforçou: Preparem-se que ele agora vai entrar na fase de testar os limites.

O que eu não sabia era que os limites que ele ía testar eram os da paciência.

Ao contar alguns dos disparates que ele faz durante o dia, dá-me vontade de rir mas, no momento as coisas não são assim tão fáceis.

Como dizia a Bárbara: Não sei se ria ou se chore.

Há momentos realmente muito complicados. Desde o momento em que ele nasceu que um dos pilares de educação que queremos pôr em prática é a Disciplina Positiva.

A Disciplina Positiva não é mais do que disciplinar com amor e empatia.

Calma, não comecem já a pensar que não há limites e que as crianças podem fazer tudo o que querem. Não é nada disso. Aliás, chama-se ‘disciplina’ positiva e não ‘vamos lá fazer o que nos apetece’ positiva.

Envolve várias coisas mas passa essencialmente pelo respeito e compreensão. E, no meu entender, na valorização da criança como indivíduo.

Um dos pontos passa por explicar à criança porque não pode fazer algo, por exemplo: Não podes mexer no fogão porque está quente. Quando tocamos em coisas quentes podemos nos magoar. Em vez de simplesmente gritar: Saiiiiiii daí!

Ou então, canalizar a atenção da criança para outra situação. No meio de uma birra, em vez de ralhar, levar a criança para outra divisão, mostrar-lhe um brinquedo ou um livro. No fundo desviar o focus da birra para outro ponto.

Parece bem, não parece?

A maior parte de nós, foram educados de maneira diferente. Os padrões que conhecemos não são estes. Se na teoria parece o melhor, na prática temos mesmo de respirar fundo e analisar a situação.

Às vezes não é fácil. Eu noto que o Zé põe em prática muito mais facilmente. Sem pouco pensar sobre o assunto. No meio da maior birra, ele pega-o ao colo, fala com ele, leva-o até à janela, brinca e… funciona.

Eu sei que eu tenho tido muito mais dificuldades nesta fase que estamos a passar. Porque realmente há momentos, que por diversas situações do dia-a-dia, nos levam até ao limite.

Eu estou a tentar. Como a Bárbara dizia no seu post, o principal problema é quando sentimos que falhamos. Quando sabemos o que é mais certo e temos dificuldade em o pôr em prática. A frustração vem daí.

Se pararmos e não reagirmos impulsivamente conseguimos dar o melhor de nós.

É preciso também aprender isto. Eu estou a aprender todos os dias.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre Disciplina Positiva e partilhar experiências pode por exemplo aderir a este grupo no facebook.

Deixo-vos aqui uma frase que acho perfeita:

Disciplinar significa ensinar e não castigar.

T. Berry Brazelton

 

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One thought on “A indisciplina

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