O não nascimento de uma mãe.

Hoje vou-vos contar uma história!

Quando me tornei mãe senti que nasceu em mim uma vontade imensa de ser melhor e de fazer o melhor pelo e ao meu filho.

Ao mesmo tempo que nasceu o meu filho, nasci eu como mãe e nasceram todos aqueles pormenores estranhos que as mães tem.  Pormenores como o medo constante de tudo e de mais alguma coisa ou o pormenor de verificar se respiram de minuto a minuto.

No mesmo dia que nasceu o meu filho naquela maternidade, nasceram mais bebés e nos dias que se seguiram de internamento, os bebés e as mães continuaram a nascer, como seria de esperar.

Não sei quantas mães e bebés lá estávamos  mas houve uma mãe que não nasceu.

Lembro-me de haver uma senhora que não quis amamentar e lembro-me de ouvir comentários diversos como: ” não quer saber do filho” , “não se levanta para nada”, “se a enfermeira não trouxer o biberão também não o pede”!

Na altura tudo aquilo me pareceu estranho, eu que estava entorpecida por ter um filho e pela dimensão da responsabilidade que me fez estar 3 dias sem dormir.

Hoje lembrei-me desta mãe, que naqueles dias ainda não tinha nascido.

Não sei nada sobre ela, não sei qual era a batalha que estava a travar naquele momento, não sei a história daquela gravidez, não sei o que gerou aquele bebé, se amor, se violência, se nada.

Não sabia nada sobre ela, nem sei nada sobre ela repito.  Nem eu nem as vozes que lhe teceram os comentários.

Hoje lembrei-me daquela mãe porque nem todas somos mães iguais, nem todas desejamos os nossos filhos, nem todas temos nos nossos bebés a continuação de um amor ou a realização de uma vida.
Nem todas somos felizes, nem todas nos sentimos capazes, nem todas temos apoio.

Não sei o que aconteceu àquela mãe nem àquele bebé mas espero que ela tenha nascido e que ele lhe seja filho. E que se amem.

 

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2 thoughts on “O não nascimento de uma mãe.

  1. Não sabemos as circunstancias de vida da mãe, da gestação, não somos médicas, mas somos mulheres, algumas mães, outras a quererem ser mães, ou até mesmo, as que não querem ser mais, sabem que pode ser um quadro de depressão pós parto, e que deveria ter um tratamento diferente pela classe médica, mas essas palavras da classe medica ou de enfermagem, mesmo não generalizando não me surpreende.

    Porque, hoje também era para eu estar a comemorar um ano de vida do meu filho, o Francisco, que mesmo nascendo prematuramente, visto que deveria nascer em Fevereiro de 2015, podia ter sobrevivido, se tudo tivesse sido feito de uma outra maneira.

    Hoje, sou mãe, não sendo….

    Sinto-me mãe, mas não o sou…

    Não me deram sequer a oportunidade de o ver…

    Hoje sou mãe, mas não sou…

    Gostar

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