Manas L e duas experiências tão diferentes!

1ª experiência – LEONOR

Tal como a Bárbara eu tinha horrores ao parto e adiei a maternidade por 5 anos, até que cheguei aos meu 30 anos e disse para mim, ou é agora ou nunca… E foi, engravidei da Leonor.

Quando soube que estava grávida, fiquei tão feliz que nem me lembrei que ela tinha de sair passados 9 meses (ui que medo).
A gravidez foi passando, mas pelas 14 semanas de gestação esta “menina” pregou um susto à mãe, tive descolamento da placenta e “atiraram-me” para uma cama até quase ao fim da gravidez.
Cada vez que fazia uma ecografia a médica dizia-me, cuidado mãe podemos ver algo menos bom, mas eu só dizia: “nada disso Dra. este bébé vai nascer lindo e saudável, eu sinto”, e assim foi.

No dia 11 de Setembro de 2011 estava eu sentadinha no sofá a ver as notícias sobre o que se tinha passado no atentado do 11 de setembro, quando fui ao WC fazer xixi e, ui o xixi não parava de sair, corri para a sala pedi ajuda ao pai dela e lá fomos para a maternidade, cheguei lá perguntei à enfermeira: “já posso ir para casa? já parei de fazer xixi e só tenho parto marcado para dia 15 de setembro, até lá ainda me falta comer a minha bola de berlim.”  Resposta da enfermeira: “Nada disso mãe, vamos analisar a mãe e ver os batimentos da bebé e prepará-la para o parto, não tarda nada a rapariga está cá fora!!!”
Entrei em pânico, tal como a Bárbara, também tive as aulas de preparação para o parto mas que não me serviram para nada.
Lá fui eu para a sala de partos e só ouvi a e enfermeira dizer ao pai para ir para casa e que regressasse de manhã.
Passei a noite toda a ouvir gritos de outras mães e eu nada… nada… e nada e só pensava que algo estava errado, todas gritam com dores menos eu, eu não tenho dores e passaram-se assim 17 horas sem dores, sem nada, até que um médico chegou junto de mim, fez-me o toque e disse: “Vamos lá!”! E eu perguntei “para onde?” e ele respondeu: “conhecer a sua filha”.
Disse-lhe que  não tinha dores e estava bem mas o médico respondeu que era por isso mesmo, que a  menina tinha decidido sentar-se e dormir mais um pouco, portanto tinhamos de acordá-la e apresentar-lhe a sua nova vida.
E lá fui eu e ela para o bloco.
Despedi-me do pai dela e fomos as 2.

A rainha Leonor nasceu de cesariana a 12 de setembro de 2011, pelas 14h, com 50cm e 3140kg.
A Leonor chorou, a mãe chorou!
Estava com uma conjuntivite e tinha de ter muito cuidado para não lhe transmitir mas a minha filha era e é perfeita, linda, fantástica e é a minha melhor amiga, pois a Leonor apesar de criança já me apoiou tanto….

Foi um parto fantástico feito pelo Dr. Vitor na maternidade Júlio Dinis, nunca ouvi tantas anedotas durante um parto, posso dizer que o meu foi divertido e que no final correu bem!
A Leonor nasceu numa 2ª feira, passado uma semana eu já conduzia, claro que tive muitas dores no pós-parto, mas sempre aguentei bem, tão bem que passados 28 meses repeti a experiência.

Leonor

 

2ª Experiência – LAURA

Como já disse anteriormente adorei tanto a experiência de ser mãe como a do parto, apesar de tudo tinha corrido tão bem, que passados 28 meses a história repetiu-se mas com algumas grandes diferenças.

Voltei a engravidar e a 24 de janeiro de 2014, com 39 semanas, e parto marcado para este dia, dei entrada pelas 7h30 da manhã na maternidade. Desta vez consegui comer a minha bola de berlim.

Deixei a minha filha Leonor com os meus pais e fui o caminho todo a chorar para a maternidade, pois ia ter outra filha, mas tinha deixado outra que tinha 28 meses.
Quando temos outro filho a sensação de ter outro é boa, mas ao mesmo tempo preocupante, pois eu ia com receio que alguma coisa corresse mal… e deixasse para trás o meu bem mais precioso, a minha filha Leonor.  É mesmo uma sensação muito estranha, não sei explicar, foi um medo que se apoderou de mim,  fiquei muito ansiosa, só queria chegar à maternidade e que a Laura nascesse rápido para eu puder estar com as duas… Desculpem este meu desabafo, mas foi assim que me senti!
Cheguei à maternidade e examinaram-me, certificaram-se dos batimentos cardíacos da minha filha, mandaram-me trocar de roupa e fui para uma cama. Passados 10 minutos chega a médica, apresentou-se disse que seria a equipa dela a fazer-me o parto, fez-me algumas perguntas e após isso, começou o meu terror, desculpem, mas foi mesmo assim um filme de terror que parecia não ter fim… provocaram-me o parto, rebentaram-me as águas…
Em termos de comparação, sabem aqueles espetos de assar os frangos??? Pois foi mais ou menos assim que me rebentaram as águas, primeiro deram-me uma medicação intravenosa, depois vieram enfermeiras e agarraram-me nos braços, depois a médica com dito “espeto” e já está, ai se pudesse naquele momento tinha-me atirado a ela, doeu tanto, mas tanto que eu só pensei magoaram a minha bebe, mas não! Senti-me toda molhada a esvaiar-me toda de água, urina e sei lá que mais, fiz a minha comparação com uma gata a parir.
Eu só dizia, “Dra. eu fiz uma cesariana há 28 meses, não corro riscos, não é melhor fazerem-me outra?” e ela respondeu-me “você é médica? o protocolo diz que só se for inferior a 24 meses, a sra, já passou mais 4 meses”. Pois, pensei eu, ela terá razão.
Trocaram-me a roupa e mandaram-me para o corredor andar, como se eu pudesse, pois se da Leonor não senti dores, da Laura senti e muitas…. Só Deus sabe o que se passou ali…
Andei, andei, andei, conversava muito com o meu pai pelo telemóvel, chorava muito, tinha fome e sede, só queria ver a minha filha Leonor e ter a minha filha Laura nos braços.
Estive a maior parte do tempo sozinha… sentia-me só…. Até que pelas 20 horas me mandam para a BOX, começam a dar a epidural.
“Bolas!” disse a anestesista. Eu estava sentada de cócoras e cheia de dores, mas perguntei, “Passa-se alguma coisa?” Respondeu que sim, que ia doer um pouco porque a agulha partiu!
OK, mais umas dores, mas lá me aguentei. Mandaram-me deitar na cama, medem tensões, os batimentos meus e a da minha filha, dão-me medicação, sei lá mais, que me fizeram, até que me levantei e disse: “Estou aqui desde as 7h30 da manhã, já passam das 20h e a minha filha não nasce, o que se passa???”
Lá vem a médica, mais medicação, só que desta vez acho que foi para me acalmar. Estava sozinha numa sala que parecia o inferno, acho que estava tão anestesiada que  deixei de sentir as dores. Apanhei uma infeção, ganhei febre e a minha filha não nascia…. Só pensava na minha outra filha que tinha ficado com os meus pais.
Fiz a dilatação toda, e não só… eram meia-noite, tinham mudado de equipa, entrou uma médica para me ver e só me lembro dela começar a gritar e a pedir ajuda, a minha filha tinha entrado em sofrimento, pois ela queria sair, mas eu não estava a ajudar muito, tinha as contrações no máximo, mas não sentia nada, nem as dores.
Lembro-me da médica e dos enfermeiros, acho que contei para aí 12, de repente a sala ficou cheia a médica empurrou (acho eu) a Laurinha para cima e fomos a correr para mais uma cesariana. era 1h39 da madrugada do dia 25 de janeiro de 2014, e a minha filha nasce!
Não ouvi a Laura a chorar, e aterrei, desmaie! Acordei eram 4h30 da manhã, com a Laura já vertida no seu lindo fato verde, agarrada à  minha mama, e lembro-me de chamar a enfermeira e ter perguntado: “Esta é a minha filha, certo? Ela está bem, certo?”, A enfermeira olhou-me nos olhos e disse,: “Sim mãe é a sua linda filha, tem 51 cm, pesa 3490, agora está tudo bem com ela.Vamos tratar agora da mãe. Tem aqui o seu telemóvel para ligar para quem quiser.!”

As dores desta cesariana, foram tão más, que devido à infeção que apanhei lá, a minha barriga cresceu tanto (que parecia continuar grávida) e passado uma semana, dei entrada na maternidade, pois os pontos rebentaram e saíram alguns agrafos, mas fiquei bem, só descobri aos 33 anos com esta cesariana, que só tenho um rim.

Agradeço todos os dias a DEUS, pelas linda filhas que me deu, por tudo no final ter corrido bem, e mesmo assim, eu ainda gostava de poder ter outro filho.

mas L

Desde então a vida trocou-me as voltas, eu e o pai das minhas filhas já não estamos juntos (mas é o pais delas e elas adoram-no).
Perdi ainda o homem da minha vida, o meu pai, que partiu o ano passado em 14 dias, e foi o meu pai que sempre me apoiou muito.

Mas estou a conseguir dar a volta por cima, fiquei sozinha com as minhas filhas ( a Leonor com 2 anos e a Laura com 5 meses), uma casa para pagar, e com dívidas! Como devem imaginar desesperei mas arregacei mangas e segui em frente! Cheguei a ter 3 trabalhos, paguei tudo, divorciei-me, tive sempre o apoio do meu pai e hoje reencontrei o amor da minha vida, alguém que me ama, me respeita, me ajuda, me admira e é amigo das minhas filhas, e tento ser feliz todos os dias.

Hoje posso dizer, consegui! Nunca fugi dos meus problemas, só tentei torná-los mais simples e nunca prejudiquei as minhas filhas, faço tudo o que posso por elas, tento estar sempre presente, e espero que um dia, elas percebam que todos os sacrifícios que a mãe fez, foi somente a pensar nelas.

Hoje gosto muito da mulher que sou!!!! SOU FELIZ  e AMO MUITO as minhas princesas!

Fernanda Silva

 

Muito obrigada pela partilha Fernanda! É bom sabermos que apesar de tudo, vale sempre a pena!
Parabéns para as manas por serem tão doces (diz até que uma vai ser minha nora!!)  e à mãe por ser uma guerreira!

 

 

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